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Em 2018, entre os dias 13 e 17 de março, o Centro Cultural Humaita acompanhou parte da programação do Fórum Social Mundial, em Salvador.

O Fórum reúne representantes de diversos segmentos sociais em “diálogo” com o Fórum Mundial Econômico. Resumindo, os debates apontam limites, contradições e problemas do paradigma economicista.

O poder do capital, embora seja um gigantesco “Golias”, bastante assustador para quem se preocupa com crianças e singelezas, não intimida os(as) milhares de “Davis” em todo o mundo. Destacamos alguns com os quais nos identificamos em espacial: Cristo, Gandhi, Luther King, Zumbi, Nzinga, Marielle…

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Direito à vida e à qualidade de vida

Logo no segundo dia recebemos a notícia do assassinato da Marielle, no Rio, e o clima de tristeza e de revolta se instalou. Além da gravidade dos problemas mundiais, decorrentes da perspectiva economicista, e de todas as implicações do “governo” que assumiu o Brasil após o golpeachment, pesava a gravidade da morte de todas as Marielle, das prisões injustas de todos os Rafel Braga deste imenso Brasil, das pedras na cabeça de todas as crianças brasileiras… Do genocídio nosso de cada dia. No Brasil os casos de violência e morte por ano superam as estatística de todos os genocídios das últimas decadas. A luta contra esse racismo institucional que pereniza a hierarquia de acessos aos direitos de cidadania, favorecendo alguns e massacrando outros, é uma luta diária para pessoas como a Marielle. Lutar pelo direito à vida e à qualidade de vida é uma batalha desumana, que adoece e chega quase a dobrar essa gente que peleja, cai, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima…

Direito de voto

Marielle foi a quinta vereadora mais votada no Rio de Janeiro e estava exercendo um mandato pautado em prioridades humanizantes. Ela estava representando o direito de ser votado em um país em que o “poder” apenas recentemente experimenta a DEMOCRACIA. O amadurecimento político no Brasil conta sempre com o tensionamento provocado por todos os anônimos que se empoderam no dia a dia em defesa da vida, com muito trabalho, sangue, suor e lágrimas! Sem medo de ser feliz e nem de lutar pelo que é certo.

Direito à cultura, ao lazer, à educação e ao esporte

O Fórum aconteceu em diversos espaços de uma cidade centenária, a primeira capital do Brasil, ao som de tambores e berimbaus evocando a presença de Mestre Bimba e Mestre Pastinha, à sombra de casarões antigos, sobre pedras irregulares. Imersos em beleza e acolhimento sem igual  por parte de um povo que supreende pelo carinho com que recebe as pessoas, avaliávamos em conjunto as injustiças e a Justiça sob diversos aspectos, buscando um norte para (nos) fortalecer, pois a construção de um país e de um mundo mais justo e mais “humano” tem adversários ferozes, armados e fechados ao diálogo.

Durante cinco dias e noites participamos de palestras, rodas de diálogo, reuniões e caminhadas pelas ladeiras do Palourinho. Atravessamos o campus da UFBA como quem percorre a trilha do guerreiro, vencendo o inimigo interior que peleja para nos derrubar por dentro. Como digerir o assassinato de Marielle?

 

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Marielle vive em nós!

Durante o Forum, em Salvador, tivemos a oportunidade de debater com outras instituições do Brasil e do mundo sobre ideias que são ao mesmo tempo complexas e de uma simplicidade gritante. Respeito. Igualdade. Diversidade. Amor. Vida. Saúde. Segurança. Energia. Direitos Humanos.

Enquanto uma parte do mundo está convulsionado em disputas assassinas por riqueza energética e poder, nós nos debruçávamos sobre os escombros e cinzas de uma história invizibilizada e sobre diversas histórias de vida. Buscávamos um norte nas alegrias e nas singelezas, bálsamos poderosos e delicados para feridas profundas e antigas. A nossa história é também a história do mundo.

Finda a jornada, retornamos encorajados, pois a missão de valorização da cultura afro e da presença negra invizibilizada que motiva a todos nós do Centro Cultural Humaita, no Paraná, continua fortalecida na certeza de que onde há luta, há vitória; onde há resistência, há vida; onde há criatividade, há solução.

Direito de propriedade das Comunidades Quilombolas

A disputa por território é uma constante. Apesar de instituída por Lei, a posse dos territórios negros aos remanscentes de quilombos é um processo árduo as disputas acontecem  nos tribunais, contra a resistência dos “proprietários”… As terras indígenas da mesma forma, em constante disputa. Vale ressaltar que os “proprietários” são fartamente representados em Brasília e dispõem de capital tanto para pagar bons advogados quanto para “expulsar” moradores, com violência e bala, se preciso for, mas também para mudar Leis e manejar o orçamento público em benefício próprio. Eles acabam de aprovar, por exemplo, uma medida que permite a comercialização de territórios quilombolas… E, para legitimar e justificar a sua conduta como “justa”, eles contam com mídia de massa, sempre que preciso for. Enquanto isso, seguem envenenando (a nós e às) nascentes e sementes.

Direito à crença e ao livre exercício da religiosidade

A intolerância religiosa é uma das mais dolorosas manifestações de racismo no Brasil. Se no período da escravatura superamos a intolerância religiosa com o sincretismo, hoje o Estado é laico e proteje todas as denominações religiosas. No entanto, temos a chamada “bancada da Bíblia”, com forte atuação voltada à garantia dos interesses do seu grupo específico (incluindo ataques aos demais segmentos religiosos). Dentre os principais problemas, ressaltamos a demonização da História e Cultura de Matriz Africana, que impacta na auto estima de grande parte da população e na efetivação da Lei 10.639/03 nas instituições de ensino, com constantes ataques à professores e escolas. Impacta também na apropriação da capoeira e diversos outras manifestações culturais, retirando-lhes os aspectos originais de matriz africana.

Diálogos insubmissos de mulheres negras

O evento reuniu diversas escritoras e doutoras negras, dentre as quais a nossa querida Lena Garcia, no Auditório da IFBA. Lancinantes testemunhos e reflexões poderosas conduziram a plateia à novos territórios e horizontes de luta pelo direito à voz no ambiente acadêmico. O evento trouxe diversos aspectos do racismo institucional vivenciado por doutoras negras no ambiente acadêmico, como epistemicídio, injustiça cognitiva, amnesia cultural e, claro, a necessidade premente de insubordinação às regras injustas e excludentes postas.

Foto Lis Pedreira Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras

Foto: Lis Pedreira | Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras

Diálogos insubmissos

Confira a programação completa no site oficial do evento: https://wsf2018.org/ 

 

 

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