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13 de maio – Dia Nacional de Denúncia contra o Racismo

No dia 13 de maio – Dia Nacional de Denúncia contra o Racismo – a Prefeitura Municipal  de Curitiba lançou uma campanha de enfrentamento ao Racismo.

Duas manifestações sutis de racismo aparecem em primeiro plano, gerando grande polêmica entre não-negros no facebook, porque apenas as pessoas negras percebem o racismo contido nas frases. (Veja no LINK)

#PraCegoVer: A imagem com fundo preto e, no centro, uma ilustração dos traços de uma mulher negra de perfil acompanhada do texto “Você é uma negra bonita. Tem traços finos” está despertando o debate e provocando as pessoas a se posicionar.

E, na sequência, a campanha tras informações de utilidade pública: telefones de contato para denuncias. Dique 190 e SOS Racismo 0800 642 0345.

“Racismo é crime. Denuncie.”

PMC racismo pretinho

O combate ao crime de racismo começa com pequenas atitudes.

É preciso entender que com mudanças na forma de enxergar o mundo podemos construir uma sociedade melhor e mais humanizada. Não deixe que a cor da pele se torne fator de identificação, afinal, somos todos iguais!

Maio é o mês de Denúncia ao Racismo. Não se cale, denuncie.

Disque 190
SOS Racismo 0800 642 0345 – ligação gratuita
igualdaderacial@pmc.curitiba.pr.gov.br

Vale ressaltar ainda que a Delegacia de Homicídios, na Rua 7 de setembro, em Curitiba, tem um Setor de Vulneráveis especializado em crimes de ódio, racismo e intolerância.

IPPUC

O Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba também divulgou o Dia Nacional de Denuncia contra o Racismo, em parceria com o Comitê Pró-Equidade de Gênero e Raça da Prefeitura.

PMC racismo IPPUC

Para o Assessor de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, que integra o Comitê, “esta campanha vem em muito boa hora. Curitiba e o Paraná, a Capital e o Estado mais negros do sul do país começam a reconhecer os problemas gerados pelo racismo para esta parcela sugnificativa da população. Esta pequena ação de grande importância é resultado de uma série de conferências – municipais, estaduais, nacionais e internacionais – pactos, leis e debates já bastante amadurecidos, graças ao incansável empenho do Movimento Negro. Nossos passos vem de muito longe. Hoje, 130 anos depois da abolição da escravatura, 70 anos depois da Carta de Direitos Humanos, 30 anos depois da promulgação da Constituição Cidadã, temos muito trabalho para colocar em prática as letras no papel.”

Como bem disse Nelson Mandela, se nós fomos ensinados à odiar, também podemos ensinar a amar e respeitar.

Saiba mais sobre as ações que vem sendo empreendidas em diversos países por proposição da ONU, para a Década Internacional de Afrodescendentes 2015 – 2024.

decada-afro

Clique na imagem e acesse a Cartilha em PDF

 

Invisibilidade… ou epistemicídio?

Precisamos ser pedagógicos ao recontar a nossa história. A presença negra (invisibilizada) na construção da cidade de Curitiba está se revelando, aos poucos, de forma mais verdadeira.

Além das pequenas ações, é preciso atuar nos mecanismos transversais que perpetuam as discriminações. Daí a importância de se debater o tema e de ouvir as vozes da população negra. Afinal, a invisibilidade não apenas nega a nossa história (negra e indígena) e a participação dos sujeitos como agentes de sua própria história. Essa negação constói uma história falsa e naturalizada como “verdadeira”.

Como bem observa Aparecida Sueli CARNEIRO, em sua tese de doutorado “A Construção do Outro como Não-Ser como fundamento do Ser”, citando Boaventura Sousa Santos (1997), “o epistemicídio se constituiu e se constitui num dos instrumentos mais eficazes e duradouros da dominação étnica/racial, pela negação que empreende da legitimidade das formas de conhecimento, do conhecimento produzido pelos grupos dominados e, conseqüentemente, de seus membros enquanto sujeitos de conhecimento. A formulação de Boaventura Sousa Santos acerca do epistemicídio torna possível apreender esse processo de destituição da racionalidade, da cultura e civilização do Outro.”

Adegmar J Silva Candiero, Assessor de Promoção da Igualdade Racial da Prefeitura comenta: “Ao compreender a gravidade do problema, o Prefeito Rafel Greca determinou: precisamos desmistificar a idéia de que Curitiba não tem população negra“.

Reconhecer a existencia da população negra e as suas importantes contribuições na formação e desenvolviemnto da cidade, se constitui em uma estratégia de enfrentamento ao racismo em uma de suas mais nefastas heranças pós-escravocratas: a invisibilidade. Bem como a invisibilidade do racismo e dos demais problemas que essa herança nefasta causou para grande parte da população curitibana. Curitiba combate o racismo?

Esta foi a primeira ação oficial realizada neste sentido. Em 29 de março, uma expsoição na Casa Romário Martins retrata parte desta história invisibilizada. (Veja neste LINK) Oxalá venham as próximas ações: o Plano Municipal de Promoção da igualdade Racial, a destinação de recursos com equidade, a representatividade negra nas esferas de planejamento e decisão…

Afinal, se o dia 13 de maio foi motivo de comemoração, em 1888, a  realidade que se apresentou a partir do dia 14 foi dura.

 

14 de maio

Fala ancestral,

Poesia antiga.

Contada,

Contida.

Oprimida.

De quem não pôde escrever uma linha

Por falta de pena, tinta, papel.

Céu, florestas, montanhas, mar, lagos, rios…

Alforria.

Lágrimas de rebeldia.

Alegria,

Fogo da justiça.

Senzala virou cinzas

E nem era quarta-feira.

Levantei sacudi a poeira e fui pra rua,

Fora da fazenda,

Celebrar a abolição

Juntamente com meus irmãos.

Abrimos a porteira,

Botamos o bloco na avenida…

Bloco dos desempregados,

Bloco dos sem terra,

Bloco dos sem teto…

O Bloco do dia seguinte.

Era 14 de maio…

Uma segunda-feira

Sem oferenda…

Sem tamborins, cuícas e bumbos.

Livres e sem rumos,

Com fome a vadiar…

Vagar.

Procurando um lugar para se instalar.

Debaixo de uma arvore não é um bom lugar,

Mas dá pra descansar…

Vários blocos ainda irão desfilar,

Os voluntários da pátria,

Os peões tropeiros,

Os sexagenários

E os lanceiros negros.

O bloco do ventre livre se uniu ao dos menin@s de rua

E vão desfilar em frente à igreja com o bloco dos sem alma…

O bloco QUEREMOS IDENIZAÇÃO era só de fazendeiros,

Não podia entrar índios e negros…

E a barriga não parava de roncar.

Festejar o que?

Minha liberdade nunca foi tirada,

Nasci livre… Inocente.

Preso em correntes de letras, decretos… Leis.

Quem inventou as regras desta brincadeira?

Não sei.

Já contei de 1888 a 2018,

130 anos e contando…

E continuam

Brincando de esconde-esconde,

Escondendo nossas histórias

Das crianças negras e índias,

Camuflando nossas contribuições.

Demonizam nossa religião.

Será que é por peso na consciência?

Porque querem negar nossa memória ancestral?

E se o dia 20 de novembro for feriado?

Haverá uma reflexão sobre o que foi a escravidão?

Celebraremos Zumbi como herói nacional?!

Preciso de uma lança,

Uma pena,

Uma caneta…

E todas as sextas-feiras…

Desfilaremos de branco

Em homenagem a nossa consciência negra.

20 de novembro será todos os dias do ano

Um louvor silencioso aos Deuses do Pantheon Africano…

Nossos Nkises,

Voduns,

Orixás.

Exêê, Baba!

 

Poema de Mel e Candiero, de 2014, autores da obra poética “Oralidades Afroparanaenses: fragmentos da presença negra na História do Paraná“, lançado em 2016 pela Editora Humaita e disponível na livraria Vertov (em Curitiba) e na Katuka (em Salvador).

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